Estes dias estava no dentista e como todo mundo sabe é o lugar onde não falamos apenas escutamos. Pois bem, auxiliar da minha dentista resolveu contar a história dela e agora vou me apropriar dela:

Hoje ela tem 40 anos, sempre estudou, trabalhou. Uma mulher como tantas de nós que foi a luta pelo seu espaço na sociedade e claro se apaixonou, acabou casando-se por volta dos 20 anos com seu príncipe que logo depois virou sapo. A Priscila se casou apaixonada, tiveram alguns anos de idílio mas ele acaba se envolvendo com outra.

Até aí nada diferente de muitas histórias. Ela a moça dedicada, estudava, trabalhava e cuidava da casa. Isso é tão pré-estabelecido na nossa cultura que parece estar correto.

Só falta algo: O tempo para si! Ela já não tem tanta disponibilidade para se cuidar e estar disponível para seu príncipe, porque agora precisa de tempo para trabalhar, cuidar de casa e do filho. O príncipe continua com quase a mesma rotina de antes do casamento e quer sua linda princesa disponível, mas ela anda sempre sobrecarregada.

As coisas começam a azedar entre o casal e ele encontra outra, separa, posta fotos no Instagram ao lado da moça e do carrão. As responsabilidades continuam sobre os ombros da Priscila, da casa, do filho e do seu desenvolvimento profissional.

Ela é uma ótima profissional, não renuncia aos seus serviços! Pois além de auxiliar, ela faz o papel de gestora de muitas outras coisas na clínica. Nesse ponto da história o sapo já estava vivendo com a outra, e a história começou a se repetir.

Encurtando a narrativa: Ele só não teve filho com está mulher, mas as responsabilidades eram as mesmas. A relação com esta foi para o espaço. E assim o sapo volta a virar príncipe, porque volta para ela mais consciente de suas responsabilidades e da importância de sua participação no cotidiano do casal.

Algo que muitas vezes não entendemos e menosprezamos é a educação que tivemos e como ela influi em nossas vidas. A educação que a Priscila recebeu foi de assumir sozinha a responsabilidade da casa, então, no momento em que casou encontrou as dificuldades da dupla jornada e da falta de divisão das tarefas. E se alguém é sobrecarregado em uma relação ela passa a ser injusta e danosa.

Perceba que quando houve a separação e o amadurecimento de ambos, eles puderam chegar a um consenso. Hoje tem seus problemas, mas são muito mais fáceis de resolverem, pois conversam e sabem que as responsabilidades são de ambos.

Conto esta história para trazer esta discussão para pauta: Precisamos mudar como educamos nossos filhos, eles precisam aprender a dividir as responsabilidades. E hoje precisamos buscar meios para tornar a sociedade mais igualitária. Nossa caminhada é de garantir mais espaços na sociedade, e sabemos que nós mulheres somos capacitadas e competentes quando temos a formação devida. Precisamos mudar o enfoque que casa é coisa de mulher. Casa é coisa de quem mora nela!

Falar de direitos das mulheres da importância do seu espeço na sociedade é algo que já está bem disseminado.

Foi por isso que resolvi contar a história da Priscila, que é uma de milhões de histórias que ouvimos no nosso cotidiano.

Te convido a pensar sobre ela!

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